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  • Eu sei, mas não devia.

    14/06/2011 por Sonia Costa
    Crônicas

    (Google Imagens)

    Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

    A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas se costuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

    A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrazado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduiche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

    A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre guerra. E aceitando a guerra aceita os mortos e que haja número para os mortos. E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz aceita ler todo o dia da guerra, dos números, da longa duração.

    A gente se acostuma esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

    A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

    A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anuncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

    A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar acondicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bacterias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

    A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

    A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

    Texto de Marina Colasanti em “A Casa das Palavras e Outras Crônicas”. p. 67-68

     

     

     

     

    “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Bíblia Sagrada – Rm 12:2)

     

    O Rei dos Dedos

    04/11/2010 por Sonia Costa
    Crônicas

    (Imagens Google)

    Moacyr Scliar escreveu esta crônica em alusão a um fato que aconteceu em 2004, quando o Comandante da American Airlines, ao ser fichado no Aeroporto de São Paulo, posou com o dedo médio em riste. O delegado Francisco Baltazar da Silva afirmou ser “um gesto internacionalmente obsceno”.

    O REI DOS DEDOS (Moacyr Scliar)

    “Sim, nós pertencemos todos à mesma mão, ao mesmo corpo. Sim, nós temos basicamente a mesma funço, nós cinco. Sim, nós somos todos iguais. Mas alguns, é preciso dizer, são mais iguais. Alguém precisa se destacar, alguém precisa se impor, alguém precisa mandar, alguém precisa dizer ao resto da corja como proceder. E agora ficou claro a quem deve caber esse papel, esse posto, esse título.

    Você, Polegar, não podia ter essa aspiração. Para começar, você é pequeno, tão pequeno que até deu o nome para aquele personagem de um a historia infantil, O Pequeno Polegar. Além de pequeno, você é humilde. Você é sempre o escolhido para dar a impressão digital. Se um analfabeto precisa assinar um documento, passam um pouco de tinta em você e fazem com que você cumpra esse desagradável serviço. Ou seja, sua existência se traduz nisso, em uma impressão.

    Você Mindinho, é pior ainda. O Polegar é ao menos grosso; você é fininho, delicado. No passado você servia para indicar aristocracia; aquelas pessoas elegantes, que tomavam chá com você elevado no ar, lembra? Isso passou, nem essa função você tem mais. Você é completamente inútil, Mindinho. Inútil e fraco. Você não serve para o nosso mundo.

    Você, Anular, é o símbolo da submissão. Como seu nome diz, você serve para portar o anel. Você mostra que um homem, ou uma mulher, são casados. Com isso, você tolhe a liberdade deles, você impede que possam viver grandes e excitantes aventuras. Você é um moralista retrógrado, Anular. Pior, você está com os dias contados, em primeiro lugar porque muita gente não casa mais, e em segundo, porque ninguém mais quer usar aliança.

    A você, Indicador, devo certo respeito. Reconheço que você seria o único a postular alguma liderança. Porque você tem uma função importante: você aponta, você indica, você acusa. Em muitas circunstâncias você é conhecido como Dedo-Duro e isso, para mim, é uma distinção. Você é temido, Indicador, e no nosso mundo só sobrevive quem é temido.

    Mas você, Indicador, não pode pretender estar à minha altura. Nem você, nem os outros. Para começar, estou numa posição privilegiada, sou o dedo central. E sou o maior dedo. Se alguma dúvida ainda existia em torno da minha liderança, ficou definitivamente afastada neste caso do piloto americano. Esse homem pensa que mostrou o dedo. Está enganado. Fui eu quem assumi a iniciativa. Independente da vontade dele, adiantei-me, elevei-me, posei para os fotógrafos. Foi o meu momento de glória. Mostrei quem está por cima. Coloquei os desenvolvidos no seu devido lugar. ‘Up yours’, eu disse, e esta é uma linguagem que todo mundo entende, que tem de entender se quiser viver no meu mundo. Curvem-se diante de mim, dedos. Eu sou o maioral, eu sou o chefe, eu sou o rei de vocês, eu sou o Rei dos Dedos, eu sou o Rei do Mundo.”

    (Fonte: Folha Cotidiano de 19 de janeiro de 2004)

    Apesar dessa crônica ter sido escrita há 6 anos atrás, ela ainda se mantém contextualizada, infelizmente. Isto porque temos presenciado um inversão de valores a nível internacional. O que mais lamentamos são os valores representados pelo Anular, substituídos pelo Médio. Essa substituição comprova a deterioração da família e consequentemente da moralidade e da ética social. Ainda é tempo de resgatarmos os bons costumes de respeito aos nossos semelhantes.

    Postado por Sonia Valerio da Costa
    Em 04/011/2010

    O Perigo de ser uma das 99!

    25/02/2010 por Sonia Costa
    Crônicas

    (Google Imagens)

    Já era tradição; todos os dias,  quando voltavam das pastagens, o pastor  abria a porta do curral e conferia a entrada do seu rebanho de ovelhas. Se a contagem estivesse correta, então o Pastor iria cuidar de uma por uma; verificava se havia algum carrapicho, ferimento ou machucado. Fazia os curativos necessários e já preparava as ovelhas para o descanso da noite. No dia seguinte, acordavam com o raiar do sol e novamente saiam para as pastagens.

    Às vezes acontecia do pastor colocar as ovelhas dentro do curral e, com um semblante de preocupação ficava olhando em direção à linha do horizonte; então fechava a porta do curral e voltava pelo mesmo caminho de onde haviam chegado. Algumas vezes retornava logo em seguida; outras vezes, seu retorno era demorado. Um coisa era certa, sempre voltava trazendo uma ovelha machucada em seus ombros.

    As ovelhas mais adultas e que já haviam presenciado essa cena tantas vezes, começaram a se preocupar com a segurança e integridade do pastor. Mas o que elas poderiam fazer, se eram totalmente indefesas?! Além disso, o pastor sempre tinha o cuidado de trancar a porta do curral, para que elas pudessem ficar em segurança.

    Numa dessas vezes que o pastor precisou retornar pelo caminho, o tempo foi passando e a noite chegou, trazendo consigo todos seus mistérios assustadores; barulhos desencontrados dos pássaros noturnos, dos animais se revolvendo sobre folhas secas, e ao longe se ouvia lobos uivando.

    A noite parecia interminável, até que o dia já começava a clarear, quando perceberam que o pastor vinha retornando com mais uma ovelha sobre os ombros. Essa havia sido a primeira vez que passaram a noite sozinhas. Somente algumas conseguiram dormir um pouco; as demais começaram a conjecturar a respeito do que poderia ter acontecido com o pastor, pois nunca havia demorado tanto.

    Divagando nos seus pensamentos, chegaram a pensar que o pastor não voltasse mais. Quem sabe se não teria sido atacado por algum lobo, ou mesmo ter escorregado em algum despenhadeiro e sumido para sempre.

    (Google Imagens)

    (Eu estava alí acompanhando em silêncio aquela cena, apenas analisando qual seria a reação daquelas ovelhas. Pude ver alí três grupos distintos. Cada ovelha procurou se aproximar do grupo que mais se aproximava de sua própria opinião.)

    Um primeiro grupo formado das ovelhas mais avançadas em idade,  comentavam que nunca haviam dado trabalho para o pastor. Afirmavam que sempre tiveram bom comportamento e sempre obedeciam as ordens recebidas; por isso esbanjavam saúde e  nunca precisaram de um curativo sequer. Falavam solenemente, como se fossem donas da verdade e que, hoje em dia, as ovelhas mais jovens estavam muito abusadas e insubmissas às ordens dadas pelo pastor.

    Um segundo grupo, formado por ovelhas mais jovens, apesar de terem sentido um forte medo durante a ausência do pastor, comentavam entre si, a respeito das aventuras que já haviam vivenciado. Várias delas, em outras ocasiões, também se distanciaram do grupo e acabaram se perdendo. Falavam dos medos, das dores, dos machucados que sofreram, e da emoção que sentiram quando viram o pastor se aproximando, com um semblante de amor misturado com alegria, chegando de mansinho para buscá-las.

    Quanto ao terceiro grupo nem foi necessário chegar perto, pois cada uma queria falar mais alto que a outra, para que sua opinião pudesse prevalecer e ser aceita como verdade pelo grupo. Umas criticavam as ovelhas que tinham sido compradas de outro rebanho; com elas foram introzidos costumes diferentes, o que estava transtornando a cabeça das ovelhas mais jovens. Outras acusavam o próprio pastor de não tomar atitudes mais severas para com as ovelhas desobedientes.

    Nesse momento, uma ovelha, aproveitando um pequeno espaço de silêncio, foi mais longe nas suas considerações, passando a criar sentimentos de indignação e revolta para com a ovelha que era trazida nos ombros do pastor; ela dizia assim: “eles já estão chegando… e podem se preparar, pois ao invés de colocá-la de castigo para aprender a lição, com certeza ele vai é promover uma festa para ela”.

    Mal acabou de falar, o pastor entrou com a ovelha nos ombros; deitou-a sobre a relva e acabou de curar suas feridas. Daquela vez o pastor tivera que superar seus próprios limites, para conseguir resgatar aquela ovelha que estava semi-morta diante dele. Levantou os olhos, passou seu olhar pelas ovelhas e sentiu-as inquietas. Conhecedor do comportamento de cada uma delas, logo entendeu o que se passava em suas pequenas cabecinhas.

    Daquela vez, entendeu que deveria agir de forma diferente. Chamou a mãe daquela ovelhinha e perguntou-lhe se ela havia dado falta de sua filhotinha; ela abaixou a cabeça envergonhada, pois nem havia dado falta de sua ovelhinha; até então pensava que ela estivesse com as outras amiguinhas, com as quais costumava brincar.

    Então, diante daquela cena, ajoelhou-se diante do pastor e pediu-lhe perdão, dizendo que durante sua ausência, ela era a que mais havia instigado as demais ovelhas do rebanho, contra as atitudes que o pastor havia tomado até então;  que o pastor, ao invés de promover festa quando uma ovelha fosse resgatada, o certo seria dar um bom castigo. Somente assim elas aprenderiam a lição e não iriam mais desobedecer as ordens do pastor.

    Aquela cena emocionou todo o rebanho, e fez com que uma a uma fosse  chegando perto do pastor para que fossem perdoadas coletivamente. Todas se sentiram culpadas por terem participado de julgamentos precipitados quanto às atitudes, tanto do pastor, quanto das ovelhas desobedientes. Quando a paz e a serenidade voltou a reinar naquele lugar, as próprias ovelhas tomaram a iniciativa de promover uma grande festa. Agora, não seria comemorado apenas o resgate de uma ovelha perdida, mas também a união que havia sido proporcionada naquele rebanho.

    Daquele dia em diante todas cuidavam de todas e todas vigiavam todas; como se cada uma assumisse juntamente com o pastor, a responsabilidade de cuidar do rebanho. Foi o melhor tempo vivido por aquele rebanho pois conseguiram evitar que outras ovelhas se perdessem. E os lobos… ah!… os lobos tiveram que procurar outros rebanhos displicentes, pois se ficassem por alí, perceberam que passariam fome.

    “Quando Jesus contou aos discípulos a Parábola da Ovelha Perdida, estava se referindo à vida espiritual e de nossa comunhão com Deus. Jesus se apresentou como o verdadeiro Pastor, pois Ele cuida de cada um de seus filhos, indistintamente e de forma particular, conforme a necessidade de cada um. Jesus nunca teve atitudes tendenciosas, vinculadas ao nosso comportamento. Ele veio para exercer misericórdia para conosco, e através desse tão grande amor, Ele quer que nós também nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. Aceite a Jesus como seu Pai e também como seu Pastor; assim, como filho e também como ovelha dEle, você será participante desse amor imensurável.”

     

     

     

     

    (Google Imagens)
    Sonia Valerio da Costa
    24/02/2010

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