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  • Virando a Mesa

    19/04/2017 por Sonia Costa
    Artigos

    Tendo Jesus entrado no pátio do templo, expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo; também tombou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos comerciantes de pombas. E repreendeu-os: ‟Está escrito: ‘A minha casa será chamada Casa de Oração’; vós, ao contrário, estais fazendo dela um ‘covil de salteadores’”. Então levaram a Jesus, no templo, cegos e aleijados, e Ele os curou. (BKJ, Mt. 21:12-14)

    O principal objetivo de Jesus era mostrar aos sacerdotes que eles estavam sendo permissivos e não estavam mais cumprindo as leis judaicas, que tanto afirmavam observar. (Mt. 23. 27-31)

    Naquele espaço do templo, os únicos objetos permitidos eram o altar de bronze, onde se ofereciam os sacrifícios, e a pia de bronze, onde os fiéis deveriam se lavar e se purificar. A única mesa que poderia haver no templo, era a Mesa da Proposição, que deveria permanecer no Santo Lugar e, mesmo assim, somente os sacerdotes tinham acesso a ela.

    Para facilitar o entendimento, em linhas gerais, o Templo (antigo Tabernáculo), era composto de 3 (três) lugares, ou espaços, a saber:

    • O Átrio (pátio) – onde ficavam a pia de bronze e o altar de bronze.
    • O Santo Lugar – onde ficavam a Mesa da Proposição, o Candelabro de ouro e o Altar de Incenso.
    • O Santo dos Santos – onde ficava a Arca e o Propiciatório.

    ‟Esse átrio de onde Jesus expulsou os cambistas, possuía mais de 50.000 m2; era ali que os cambistas exploravam os romeiros que vinham de muito longe, com dinheiro para ofertar e sacrificar no templo. A venda dos animais cultualmente aceitáveis transformara-se apenas em lucrativo comercio, tanto que essa extensa área reservada, já não comportava os estandes de vendas e haviam invadido até o recinto sagrado (o Lugar Santo), onde somente os sacerdotes poderiam entrar. Vários sacerdotes lideravam a corrupção institucionalizada no templo, posto que ao receberem os animais para holocausto, em vez de efetuarem o ritual do sacrifício, matavam apenas alguns deles, e repassavam todos os demais para comerciantes fraudulentos, que os revendiam sucessivas vezes”. (BKJ, p.1801)

    Cada  item do Tabernáculo, tanto os objetos, quanto as cortinas, os tecidos, as cores e inclusive a disposição deles, têm uma simbologia que apontava para a salvação através de Jesus Cristo e o acesso do homem a Deus. Veja como a disposição dos objetos do tabernáculo refletem a imagem da cruz.

    Como é possível encontrar um vasto material sobre o Tabernáculo, tanto em livros quanto no mundo virtual, neste artigo vou comentar  apenas sobre a Mesa da Proposição que se encontrava no Santo Lugar.

    A expressão popular “virar a mesa”, tem diversos significados, como “virar o jogo”, “aproveitar a oportunidade”, “mudança de atitude”, e até mesmo sair de um estado de humilhação e fracasso, assumindo um posicionamento vitorioso.  Foi exatamente esse o significado da atitude de Jesus; Ele aproveitou a oportunidade para mostrar que a partir de Sua morte e Ressurreição, seria necessário uma mudança de atitude no nosso relacionamento para com Deus, pois foi para isso, que Jesus Cristo se ofereceu como sacrifício vivo e sem pecados, para morrer em nosso lugar e assim nos abrir acesso direto a Deus, o Pai. (Hb. 9.28)

    Apesar de me embasar na passagem bíblica quando Jesus entrou no Templo e virou as mesas dos cambistas, quero me valer dessa expressão para falar sobre mudança de atitude; não pretendo interpretar que a atitude de Jesus tenha sido irreverente, ou uma forma de revide aos seus perseguidores, mas sim um resgate ao princípio das leis judaicas concernente aos rituais que deveriam ter sido preservados no Templo.

    Com sua atitude, Jesus não só demonstrou que ali no pátio do Templo não era lugar para comércio, como também já apontava que, a partir de um futuro próximo, com Sua morte na cruz e posterior ressurreição, não haveria mais necessidade de se oferecer sacrifícios de animais, para perdão de pecados, pois Ele mesmo estaria se oferecendo como sacrifício vivo e eterno (Hb. 9. 10-12).

    Essa Mesa dos Pães da Proposição ou da Presença deveria ser reabastecida semanalmente aos sábados, com 12 pães, em duas fileiras de seis pães cada, e deveriam ser comidos somente pelos sacerdotes. (Lv. 24.5-9) Ao comerem o Pão da Presença, os sacerdotes estavam estabelecendo comunhão com Deus através do Pão que, na Bíblia, representa Jesus Cristo (Jo. 6.35).

    Quando nos assentamos ao redor de uma mesa, estamos demonstrando o desejo de comungar com as demais pessoas que dela participam. Ninguém assenta ao redor de uma mesa com um inimigo e isso demonstra o porque muitas pessoas não abrem seus corações para Jesus, quando Este os convida, (Ap. 3.20) porque direta ou indiretamente ou são inimigos da cruz, ou porque não estão dispostos a ouvir o que Jesus tem a lhes dizer. (Fl. 3.18-21)

    Através do Tabernáculo e depois através do Templo, Deus sempre procurou o homem para manter um relacionamento saudável com Ele, tanto que antes do sacrifício de Jesus, Deus conversava com o homem, através de seus sacerdotes. A questão é que estes se corromperam e anularam essa comunicação entre Deus e o homem. Assim, Deus Pai enviou seu próprio Filho Jesus Cristo para resgatar Sua comunhão com o homem que criara.

    Esse acesso direto que agora temos com Deus, fica muito claro, biblicamente falando,  pois Ele mesmo nos fez reis e sacerdotes (Ap. 1.6) e, o mais lindo foi que, quando Jesus deu seu último suspiro na cruz, o véu do Templo (esse véu ficava entre o Santo Lugar e o Lugar Santíssimo) se rasgou de alto abaixo (Mt. 27.50-51), abrindo acesso indistinto a todos os homens, e essa atitude partiu de Deus o Pai, pois o véu se rasgou sozinho e de cima para baixo, o que seria impossível algum ser humano fazê-lo, visto que esse véu era extremamente grosso.

    Agora, qualquer um de nós pode entrar com Jesus, no Lugar Santíssimo, diante de Deus, e sentir Sua presença, desde que passemos pela mesa e comunguemos com Jesus Cristo, permitindo que Ele nos transforme segundo a Sua vontade. (Hb. 12.14) É na mesa dos pães que nos colocamos à disposição de Jesus para sermos seus imitadores (Ef. 5.1) e então Ele mesmo nos introduz à presença do Pai Celestial. Não há outro caminho para nos achegarmos à presença de Deus, a não ser através de Seu Filho Jesus Cristo. (Jo. 14.6)

    Depois de ressurreto, Jesus nos enviou o Consolador (Jo. 14.16-17, 26 e Jo. 16.7-15), o Espírito Santo, para agir de forma mais efetiva na comunicação entre Deus e o homem.  Não devemos buscar outro intermediário que não Jesus, para termos acesso a Deus o Pai, pois do contrário estaríamos minimizando o poder e autoridade que foi dado a Jesus nos céus e na terra (Mt. 28.18).

    Aceite a Jesus, convide-o a entrar em seu coração e fazer morada em sua vida. Permita que Ele “vire a mesa” na sua vida. Jesus é suficiente para te proporcionar uma nova vida ainda nesta terra e por fim a vida eterna (Jo. 17.3).

     

    Bibliografia consultada e recomendada:

    Bíblia on line

    BKJ: Bíblia King James atualizada. São Paulo, Abba Press, 2012.

    ENCICLOPEDIA de Bíblia Teologia e Fiolosofia.   9.ed.   Russell Norman Champlin.   São Paulo, Hagnos, 2008.   6. v.

    GILBERT, Floyd Lee.  A Pessoa de Cristo no Tabernáculo.  São José dos Campos, Fiel, 1991.

    McNAIR, S.E.  A Bíblia Explicada.  Rio de Janeiro, CPAD, 2005. 507 p.

    NEESE, Zach.  Como adorar ao Rei.  Belo Horizonte, Exodo, 2012. 304 p.

     

     

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